domingo, 10 de junho de 2012

Saída dezasseis - "O Porto visto de cima"




o porto de helder pacheco
25 anos de escrita sobre a cidade

Ah! Ver o Porto…






"Ah! Ver o Porto…Ver o Porto é permanecer fiel a um certo, subtil e indizível sentimento de viver, de pertencer a um território com caracter e tradição.
Ah! Ver o Porto…Ver o Porto é guardar imagens da luz e da atmosfera que, em algumas horas e em certos dias, envolve, define ou atenua os contornos do burgo: morros e torres, maciços verdes e muralhas, pontes e palácios, margens e cais.
Ah! Ver o Porto, eis o desafio para olhar e reter os encantos e magias que sobrevivem na cidade inesquecível que aí está, à espera da nossa descoberta, da nossa nostalgia e da nossa paixão. Porque, afinal – confirmando Saint-Exupéry ao escrever que o essencial é invisível para os olhos -, ninguém, acho eu, pode ver (e entender) o Porto senão com o coração."

A nossa cidade tem encanto de qualquer ângulo em que a observemos. Vamos então apreciá-la numa perspectiva de que raramente temos oportunidade mas que nos surpreende igualmente na sua beleza – O Porto visto de cima.

Este foi o tema da nossa décima sexta saída (13-06-2012) e fomos onze (click em cima do nome para acesso direto ao olhar individual):

"Graffiti no Porto" - olhar de Laurindo Almeida


"graffiti" ou o seu equivalente em português "grafito" é uma forma de intervenção de arte de rua cuja popularidade tem vindo a crescer no nosso país nas últimas décadas. As suas origens podem por um lado ser encontradas nas designadas "pichagens" que, basicamente continham frases com mensagens politicas ou de contestação que no tempo da ditadura eram muitas vezes pintadas a pincel com nitrato de prata o que permitia por um lado alguma invisibilidade durante a pintura noturna e por outro o seu reaparecimento após serem cobertas com tinta plástica. Posteriormente foram usadas tintas em spray com ou sem "stencil's" e hoje usam-se também várias formas de marcadores. A segunda influência veio do exterior em que as pinturas murais há muito haviam ganho espaço, quer como expressão de grupos étnicos ou culturais mais ou menos marginalizados quer como forma artística livre e popular fora dos círcuitos comerciais habituais.


Presentemente existem várias várias crews e writer's do Porto com trabalhos de muita qualidade que são mesmo contratados ou convidados para intervenções mais ou menos comerciais, com presenças em eventos e galerias em várias partes do mundo, sendo habituais as "Hall of Fame" em espaços legais. Ainda encontramos no entanto aquilo que vulgarmente é associado por muitos de mero vandalismo e que é a simples utilização de tags ou stencis.

Uma fábrica de tintas do grande Porto, a CIN, promove desde há 5 anos, uma iniciativa de pintura mural, que designa por Re-Make, em que convida oficialmente as várias faculdades e escolas superiores de artes do país para pintarem paredes disponibilizadas pela Câmara de Lisboa, num acontecimento com grande impacto mediático. Não conhecemos por parte da atual Câmara do Porto a adesão a qualquer iniciativa de divulgação desta forma de intervenção criativa, parecendo antes apostar na sua repressão.





Todos estas fotos foram efetuadas no dia 06 de Junho de 2012, entre as 12:15 e as 13:00 com uma pequena câmara compacta em conjunto com o coletivo "Fotografia à Hora do Almoço" na fundação José Rodrigues / Fábrica Social ou nas suas imediações e na generalidade são pinturas legais efetuadas no âmbito do "Wall Street Perfomance" em Abril do ano 2010. Um destes graffiti's, pelo menos, foi tema dum teledisco duma banda portuguesa.